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bráulio bessa bráulio bessa Foto: Divulgação
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Bráulio Bessa: O Fazedor De Versos

O poeta cearense é fiel às suas raízes

Por Sempre Bem

Bráulio Bessa nasceu no município de Alto Santo, no Sertão do Ceará, no ano de 1986. Como ele mesmo se define, um “fazedor de poesias”. Ingressou na faculdade, no curso de análise de sistemas, e abriu caminho para um movimento na internet quando criou o blog “Nação Nordestina”, no ano de 2011, conquistando milhares de seguidores. 

O canal se tornaria uma plataforma para divulgar e defender o povo e a cultura nordestina. Bráulio não só percebeu o poder da internet, mas também a força das palavras. Quer conhecer mais sobre Bráulio Bessa? Confira nossa conversa com esse brasileiro arretado.

Poesia em forma de gente

Sempre Bem: Ser poeta sempre foi um sonho?

Bráulio: Eu não sonhava especificamente em ser poeta. A partir do momento em que, com quatorze anos, eu tive contato com poesia pela primeira vez, por meio da poesia de Patativa do Assaré, e comecei a escrever, eu já me sentia poeta. Esse sentimento de servir para alguma coisa boa já existia dentro de mim, ali eu já me sentia poeta. 

Trajetória

SB: Como começou a sua carreira e como foi sua trajetória?

Bráulio: As pessoas só enxergam muito onde você chegou e acabam esquecendo de procurar enxergar essa caminhada. A minha carreira como escritor começou com quatorze anos de idade, quando eu escrevi o meu primeiro poema. 

Eu escrevia poesia, peças de teatro para escola, fazendo teatro de rua, tendo um contato muito forte com todo esse universo que é traduzido em forma de verso no que eu escrevo. E aí sim vieram alguns pontos que foram definitivos para que eu chegasse onde eu cheguei. 

Primeiro, em 2011, trazer o conteúdo de cultura popular nordestina, a literatura de cordel, para as redes sociais, atuando como um ativista dessa cultura. Em 2014, surgiu uma nova onda de preconceito contra o povo nordestino, ataque xenofóbico, e o programa de Fátima Bernardes me convidou pra ir lá falar sobre isso. Eu fui uma vez e depois me chamaram outra, e comecei a ir como uma espécie de consultor de cultura nordestina.

Um dia eu fiz um poema lá, gostaram da poesia e era algo novo; e aí fui convidado para assumir um quadro semanal no programa e continuo lá até hoje. Agora em novembro de 2019, completam cinco anos e tô muito feliz por ter conseguido chegar até as pessoas. Hoje é o conteúdo digital mais assistido de toda plataforma digital da Rede Globo.

Poesia Com Rapadura

SB: Seu primeiro livro, Poesia Com Rapadura, é um Best Seller. Deu orgulho?

Bráulio: Vejo como uma resposta do público, para que as pessoas entendam que existe, sim, um público para consumir poesia no nosso país. Quando eu tentei lançar meu livro pela primeira vez, eu mandei e-mails para algumas editoras e lembro de ter recebido resposta do tipo "poesia não vende no Brasil", "nem Carlos Drummond de Andrade vende mais poesia no Brasil". 

Mas eu sempre acreditei que isso era por um processo de desgaste e distanciamento da poesia com as pessoas. Essa ida pra televisão, claro, deu a oportunidade de apresentá-la para as pessoas. 

Então, ver um livro de poesia, de um poeta brasileiro, nordestino, cearense, que escreve literatura de cordel, entre os livros mais vendidos do país e se tornar um Best Seller é muito gratificante. Eu fico muito feliz e isso me estimula a continuar. Em setembro, já saiu o meu novo livro, que se chama 'Um carinho na alma', e eu tenho certeza de que vai abraçar muita gente.

Família

braulio bessa com o pai

SB: Vamos falar da família… Bráulio, como você se enxerga como filho?

Bráulio: Um eterno endividado por tudo que meus pais fizeram por mim; e mesmo que eu viva por muito tempo, eu acho que não vou conseguir pagar.

SB: Com seus pais separados, como foi a relação com o seu pai na infância?

Bráulio: Meus pais se separaram eu ainda era muito novo, tinha oito anos de idade só. Não considero que eu vivi um choque muito grande nesse momento de separação, por ser criança, por estar muito focado em brincar, em estudar... Meu pai foi embora para São Paulo, mas nunca deixou de ser presente e sempre se comunicou. Ele sempre ajudou com o máximo que ele podia.

SB: Como foi a relação com seu avô? 

Bráulio: Minha relação com meu avô sempre foi muito bonita, de muito respeito e de muito amor. Mesmo tendo meu pai presente, eu sempre vi meu avô como um grande exemplo de homem, de pai, de ser humano. Eu sempre gostei de ter o meu avô. Na verdade, eu não perdi um pai, eu ganhei outro.

SB: Você sentiu falta do seu pai presente, quando criança?

Bráulio: Eu era agraciado por morar em uma cidade pequena, onde a criança é livre e tem o que fazer: brincar, correr, jogar bola e isso ocupava muito a minha mente. Claro, sentia saudades do meu pai, mas nunca desenvolvi nenhuma revolta em relação a isso. Sempre aceitei de forma muito tranquila.

SB: Seu pai voltou a morar perto de você quanto tempo depois? Como é a convivência de vocês?

Bráulio: Ele voltou 20 anos depois. Hoje, nós somos muito próximos. Meu pai é meu homem de confiança, meu braço direito, é a pessoa que posso contar para absolutamente tudo. O momento em que eu mais preciso de meu pai é agora, depois dos trinta anos, depois de casado e ele sempre está presente e eu tenho certeza de que vai continuar.

SB: Qual a lição que você tira do relacionamento com seu pai?

Bráulio: Uma lição de compreensão, de entendimento de que a vida não é perfeita, não é como a gente desenha. A maior lição que eu carrego é que nem tudo é como a gente quer que seja, mas isso não significa que não esteja acontecendo como tem que ser e como Deus quer.

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Este artigo encontra-se originalmente publicado na edição 34 da revista Pague Menos Sempre Bem, que tem o Bráulio Bessa na capa.

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